✨ Introdução: O que é o BRICS?
O BRICS é um agrupamento político-econômico formado por grandes economias emergentes, criado com o objetivo de fortalecer a cooperação entre seus membros e aumentar a influência do "Sul Global" na governança internacional. Longe de ser um bloco econômico fechado como a União Europeia, o BRICS funciona como um fórum de coordenação diplomática, sem tratados supranacionais ou moeda única. Sua atuação abrange três pilares principais: política e segurança; economia e finanças; e cooperação entre os povos (pessoa a pessoa).
Desde sua criação, o grupo busca promover reformas em instituições como a ONU, o FMI e o Banco Mundial, consideradas por seus membros como pouco representativas da nova realidade geopolítica global.
🕰️ História e Origem: Como tudo começou?
A Criação do Conceito
A história do BRICS começa em 2001, quando o economista Jim O'Neill, do banco Goldman Sachs, criou o acrônimo "BRIC" (Brasil, Rússia, Índia e China). Em um relatório, ele apontou essas quatro nações como os mercados emergentes com maior potencial de crescimento para as próximas décadas. O termo rapidamente ganhou popularidade e passou a ser usado por investidores e acadêmicos.
A Institucionalização
O conceito saiu do papel em 2006, com a primeira reunião de chanceleres do BRIC, e a primeira Cúpula de Chefes de Estado foi realizada em 2009, em Ecaterimburgo, na Rússia.
As Expansões e o Nascimento do "BRICS"
2011: A África do Sul é incorporada, e o "S" é adicionado à sigla, dando origem ao BRICS. A entrada da África do Sul foi vista como uma tentativa de dar maior representatividade geográfica ao grupo, que até então era dominado por potências da América, Eurásia e Ásia.
2024: O bloco dá seu maior salto, convidando cinco novos membros: Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU). A Argentina também foi convidada, mas recusou a adesão no final de 2023.
2025: A Indonésia se torna o mais novo membro pleno, consolidando a presença do BRICS no Sudeste Asiático.
Após essas adesões, o grupo passou a ser chamado informalmente de BRICS+, refletindo sua nova composição ampliada.
👥 Quem faz parte do BRICS e do BRICS+ em 2026?
A estrutura do BRICS em 2026 é composta por membros plenos e países parceiros, uma inovação recente para acomodar o crescente interesse global sem forçar uma adesão completa imediata.
📌 Membros Plenos (11 países)
Em 2026, o BRICS conta com 11 membros oficiais, que juntos representam cerca de 49,5% da população mundial e 40% do PIB global.
Países Fundadores:
🇧🇷 Brasil
🇷🇺 Rússia
🇮🇳 Índia
🇨🇳 China
🇿🇦 África do Sul
Novos Membros (a partir de 2024):
Último Membro Admitido (2025):
<div align="center"> <br> </div>🤝 Países Parceiros (10 países)
Em 2025, o BRICS criou a categoria de "país parceiro", uma espécie de "pré-membresia" que permite participação em reuniões sem os compromissos de um membro pleno. A lista de parceiros inclui:
🇧🇾 Bielorrússia
🇧🇴 Bolívia
🇰🇿 Cazaquistão
🇨🇺 Cuba
🇲🇾 Malásia
🇳🇬 Nigéria
🇹🇭 Tailândia
🇺🇬 Uganda
🇺🇿 Uzbequistão
🇻🇳 Vietnã
📊 O BRICS+ em Números
O poderio do bloco se reflete em estatísticas impressionantes:
Fonte: BRICS 2026.
<div align="center"> <br> </div>🏦 O que o BRICS faz? Principais Iniciativas
O BRICS não é apenas um fórum de discussão; ele já gerou instituições e projetos concretos.
1. 🏛️ Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) – O "Banco do BRICS"
Criado em 2014, com sede em Xangai, o NBD é a principal conquista institucional do bloco. Seu objetivo é financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países membros, servindo como uma alternativa ao Banco Mundial e ao FMI.
Presidente: A brasileira Dilma Rousseff.
Expansão: O banco aprovou a adesão da Argélia em 2026.
Uso de Moedas Locais: Em 2025, cerca de 25% da carteira do banco já estava em moedas locais (como real e rupia), com a meta de chegar a 30% em 2026, reduzindo a dependência do dólar.
2. 💸 Desdolarização e o BRICS Pay
Uma das agendas mais ambiciosas do bloco é a redução da dependência do dólar americano no comércio internacional. As principais frentes são:
Acordos Bilaterais: Países como China, Índia, Brasil e Rússia já realizam uma parcela significativa de seu comércio em moedas locais. Cerca de 65% das transações intra-BRICS já são mediadas por moedas nacionais.
BRICS Pay: Lançado em 2026, o aplicativo foi projetado para funcionar como um "Pix internacional", utilizando tecnologia blockchain para permitir transações instantâneas e de baixo custo entre os países do bloco, sem a necessidade de conversão para o dólar.
Moeda Digital (CBDCs): A Índia propôs a criação de um sistema de pagamento conjunto usando as moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs) dos membros, que deve ser um dos temas centrais da Cúpula de 2026.
<div align="center"> <br> </div>🔮 Perspectivas e Desafios para 2026 e Além
A Índia assumiu a presidência rotativa do BRICS em 2026, com o tema: "Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability" (Construindo para Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade).
Os principais desafios e tópicos da agenda incluem:
Gerenciar a Expansão: Incorporar os novos membros e parceiros de forma coesa é um desafio logístico e diplomático.
Equilíbrio Geopolítico: A presidência indiana terá que equilibrar as pressões entre o Ocidente (especialmente os EUA) e os interesses de China e Rússia dentro do bloco.
Institucionalização: Há um debate sobre o futuro do BRICS: deve permanecer como um fórum flexível ou se tornar uma organização internacional mais estruturada?
💎 Conclusão
O BRICS evoluiu de um simples conceito de marketing financeiro para um dos fóruns mais influentes do Sul Global. A transição para o BRICS+ simboliza não apenas uma expansão numérica, mas uma mudança qualitativa na ambição do grupo.
Ao mesmo tempo em que impulsiona projetos concretos como o Novo Banco de Desenvolvimento e lidera o debate sobre a desdolarização da economia mundial, o bloco enfrenta o desafio de manter a coesão entre membros com visões e interesses, por vezes, divergentes. O que parece certo é que, em 2026, o BRICS consolidou seu papel como um protagonista incontornável na construção de uma ordem global mais multipolar e equilibrada.